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Qual a vontade de Deus em nossas escolhas e decisões?

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Apesar de sabermos que Deus tem o melhor para nós, a dificuldade em tomarmos uma decisão ou fazermos uma escolha muitas vezes nos provoca angústia ao tentarmos entender a vontade de Deus. Isso se traduz em relacionamentos, nos estudos ou na área profissional, entre outros assuntos de nossas vidas. As escolhas e decisões fazem parte de nossa vida cristã, por isso, termos o discernimento de qual a vontade de Deus é essencialmente importante.

I. QUALIDADES DA VONTADE DE DEUS

1. LIBERDADE.

Liberdade da vontade, quer de Deus, anjos ou homens, significa que a vontade não está constrangida por qualquer coisa fora da natureza do ser que a possui. Mas não quer dizer que a vontade pode agir independente do ou contrário ao caráter desse ser. Na operação da vontade temos simplesmente um ser moral preferindo, escolhendo e determinando cursos de ação em vista de motivos. Os motivos influenciam, mas não constrangem a vontade. A energia relativa dos motivos é determinada pelo caráter. A vontade jamais está sujeita ao capricho ou à arbitrariedade.

2. FORÇA.

Falamos de alguns homens a quem falta força de vontade. Por isto queremos significar que lhes falta a força de vontade para quererem o que deveriam querer. Isto resulta da perversidade do caráter ou da natureza do homem através do pecado. Mas não há falta de força em Deus para querer o que Ele deveria querer. O Seu caráter é perfeitamente santo. Conseqüentemente, Deus sempre quer aquilo que é perfeitamente santo, justo e bom.

II. FASES DA VONTADE DE DEUS

1. VONTADE OU PROPÓSITO DE DEUS.

Deus propôs ou decretou tudo que se tem passado e tudo que ainda terá de passar. Salmos 135:6; Isaías 46:10; Daniel. 4:35; Atos 2:23; 4:27,28; 13:48; Romanos 8:29,30; 9:15-18; Efésios 1:11. Estas passagens mostram que Deus é um soberano absoluto ao dirigir todos os negócios deste mundo e ao distribuir a graça salvadora. Sua vontade de propósito inclui tanto o mal como o bem, tanto o pecado como a justiça e é sempre executada perfeitamente. Mas são necessárias as seguintes subdivisões da vontade e do propósito de Deus.

(1). O Propósito Positivo de Deus.

Deus é a causa ativa e positiva de todo o bem. Tudo que é bom é o resultado da operação eficiente do poder de Deus, quer diretamente ou por meio de Suas criaturas. É a esta subdivisão da vontade e do propósito de Deus que se aplica Filipenses 2:13, que nos diz: “É Deus que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade”.

(2). O Propósito Permissivo de Deus.

Deus não é a causa do mal; mas, por razões justas, santas e sábias, só por Ele inteiramente conhecidas, Ele decretou permitir aquele mal que vem a acontecer, dominando-o para Sua própria glória. É à vontade permissiva de Deus que se refere a Escritura, quando diz: “seguramente a ira do homem Te louvará e o remanescente da ira Tu o restringirás” (Salmos 76:10). Esta passagem frisa que Deus restringe os homens de fazerem mais pecados do que Ele se apraz dominar para Sua glória; portanto, Ele lhes permite cometerem tal pecado como o que cometem. Ele podia guardar os homens de todo o pecado tão facilmente como Ele os detém no lugar apontado. Não podemos dar razão porque Deus permite o pecado que satisfará a mente carnal, mas o fato que Ele o faz é abundantemente claro; e, desde que Deus sempre faz o bem, sabemos que é direito para Ele permitir semelhante pecado como o que se vem a passar.

Em Atos 2:23 e 4:27,28 temos uma clara afirmação que a crucificação de Cristo foi parte da vontade propositante ou decretante de Deus. Mas sabemos que Deus não fez os crucificadores fazerem eficientemente o que eles fizeram, que tal tornaria Deus responsável pela morte de Cristo: Deus meramente retirou o Seu poder restritivo e permitiu aos crucificadores proceder segundo os seus próprios desejos maus. Isso é tudo que Deus tem a fazer para alcançar o perpetramento de qualquer pecado que lhe apraz dominar para Sua glória. O homem cometerá qualquer pecado que Deus lhe permitir cometer.

O endurecimento do coração de Faraó, segundo Êxodo pormenoriza, e fazer vasos para desonra (Romanos 9:31) são para ser entendidos como vindos sob o propósito permissivo de Deus.

As seguintes citações podem ajudar a exemplificar a relação de Deus com o pecado. “Que o pecado procede dos homens mesmos; que, pecando, eles realizam esta ou aquela ação, é de Deus, que divide as trevas segundo o Seu prazer” (Agostinho). “Deus não é a força causadora, mas a força dirigente nos pecados do homem. Os homens estão em rebelião contra Deus, mas não estão fora de sob o Seu controle. Os decretos de Deus não são a causa necessitante dos pecados do homem, mas os limites e as diretrizes predeterminados e prescritos aos atos pecaminosos dos homens” (C. D. Cole, Baptist Examiner, March. 1, 1932). “Os desejos do pecado são os desejos do homem; o homem é culpado; o homem é para ser acusado, mas o Deus onisciente impede esses desejos de produzirem ações indiscriminadamente, Ele compele esses desejos a tomarem um certo curso divinamente estreitado. As enchentes da iniquidade são do coração dos homens, mas não lhes é concedido cobrirem a terra: são trancadas pelo apontamento soberano de Deus no Seu canal e assim são os homens desapercebidamente contidos em represas, de modo que nem um jota do propósito de Deus cairá. Ele traz as torrentes dos ímpios ao canal de Sua providência a moverem o moinho do Seu propósito” (P. W. Hedward).

2. A VONTADE DE PRECEITO DE DEUS.

Faz-se clara distinção em Deuteronômio 29:29 entre a vontade de propósito de Deus e Sua vontade de preceito. Diz esta passagem: “As coisas secretas pertencem a Jeová nosso Deus, mas as que estão reveladas pertencem-nos e aos nossos filhos, para que façamos todas as palavras desta Lei”. “As coisas secretas” têm referência à vontade decretante de Deus ou Sua vontade de propósito”. “As coisas que estão reveladas” têm referência à vontade preceptiva de Deus ou Sua vontade de mando.

A vontade preceptiva de Deus difere da Sua vontade de propósito em esta abarcar tanto o mal como o bem, ao passo que a vontade preceptiva abarca só aquilo que é bom em si mesmo. Uma outra diferença entre estas duas fases da vontade de Deus está no fato que a vontade propositiva de Deus é executada sempre, enquanto que a sua vontade preceptiva se cumpre muito imperfeitamente na terra. A vontade preceptiva de Deus fixa a responsabilidade do homem; a propositiva nada tem a ver com essa responsabilidade.

3. VONTADE PRAZENTEIRA DE DEUS.

A referência aqui é ao prazer e desprazer nas coisas em si mesmas consideradas em contraste com coisas consideradas como um todo. Considerado em si mesmo, Deus nunca se agradou do pecado. Considerada em si mesma, Deus está sempre agradado com a verdadeira justiça; mas, em vista de coisas como um todo, Ele não decretou que todos os homens virão à justiça.

Não suponha ninguém que aqui se quis dizer que Deus teria algumas coisas a acontecer que Ele não pode fazer que aconteçam; ou que Ele impediria que acontecessem algumas coisas que Ele não pode impedir. Deus sempre executa o que Ele quer executar, mas, ao fazê-lo, Ele usa aquilo que em Si mesmo não é uma coisa agradável a Ele. Tal como um pai, tomando gosto no devido treino de um filho, muitas vezes castiga o filho, não obstante o fato que o castigo em si mesmo não proporciona prazer ao pai.

O prazer de Deus em coisas como um todo sempre se realiza. “O nosso Deus está nos céus; Ele fez tudo o que Lhe aprouve” (Salmos 115:3). “O que quer que a Jeová agradou, isso Ele fez, no céu e na terra, nos mares e em todos os abismos” (Salmos 135:6). “Declarando o fim desde o princípio e desde os velhos tempos as coisas ainda não feitas; dizendo: O meu conselho ficará firme e farei toda a minha vontade” (Isaías 46:10).

É na base da fase da vontade de Deus agora sob consideração que Ezequiel 33:11 se explica e se entende (Talvez devamos entender 2 Pedro 3:9 da mesma maneira, mas não 1 Timóteo 2:4. Vide a Versão Revista de 2 Pedro 3:9 e exposição em “An Americam Commentary on the New Testament”. Em 1 Timóteo 2:4 “todos” alude a todas as classes. Vide exposição do v. 6 no capítulo sobre expiação). Contudo, a morte aqui mencionada não é a morte espiritual, mas a morte física no assédio babilônico; mas a relação da declaração com a vontade de Deus é a mesma. Em si mesmo considerada, a ruína dos israelitas no sitio babilônico não foi coisa agradável a Deus; mas, considerada em conexão com as coisas como um todo, Deus decretará permitir a morte de muitos deles.

A salvação dos homens é em si mesma coisa agradável a Deus como se evidencia pelo Seu mandamento que todos os homens se arrependam (Atos 17:30); mas Deus não decretou ou propôs que todos se salvassem.

III. COMO SABER QUAL A VONTADE DE DEUS?

1. A vontade de Deus está acima de tudo

Vemos na Bíblia que a vontade de Deus está acima de qualquer situação ou vontade humana, por isso podemos confiar que os grandes planos dEle nunca se frustrarão (Jó 42:2). Por exemplo: Desde que Adão e Eva pecaram, Deus falava através dos profetas que Jesus viria ao mundo e Ele realmente veio. Também era da vontade de Deus que Jesus morresse por nossos pecados e isso se cumpriu. Por isso, se você é um escolhido de Deus, os planos dEle para sua vida se cumprirão. Se Ele tem algo para fazer com você ou através de você, Ele fará! Não serão suas fraquezas ou falhas que impedirão isso. Para isso, tudo o que você deve fazer é viver em obediência (Leia Filipenses 1:6). Quando vemos algumas pessoas sendo usadas por Deus, logo pensamos: “Nossa, aquele é um grande homem de Deus! Como aquela mulher consegue ser tão usada por Deus?” Porém, com o tempo, entendemos que não existem grandes homens ou mulheres, mas sim, pessoas comuns que decidem atender ao chamado de Deus. Ele já tem um caminho pronto para mim e você, mas Ele só irá mostrá-lo à medida que O obedecermos e fizermos a Sua vontade.

2. A vontade de Deus já foi revelada para nós

Muitos não sabem, mas na Bíblia já está revelado toda a vontade de Deus para cada área de nossas vidas. Ela é a fonte mais confiável de todas, pois foi inspirada pelo Espírito Santo e não por inspiração de alguém (2 Pedro 1:20,21 / 2 Timóteo 3:16). Por isso, em muitos casos não precisamos nem orar à respeito, pois já está escrito na Bíblia qual é a vontade de Deus. Por exemplo: “É da vontade de Deus que uma pessoa se envolva com uma pessoa casada, mesmo que esteja insatisfeita em seu casamento?” De modo algum! Isso é adultério e pecado (Mateus 5:27-28). “É da vontade de Deus que uma pessoa namore alguém que não seja cristã?” Não. A Bíblia alerta sobre o perigo de se prender a um jugo desigual onde não há comunhão (2 Coríntios 6.14,15). Mas também precisamos entender que a Bíblia não fala especificamente sobre todos os pecados, como por exemplo: usar drogas. Mas ela nos responde dizendo que o nosso corpo é morada do Espírito Santo e devemos cuidar dele (1 Coríntios 6:19,20). Por isso precisamos conhecer a Bíblia, para evitarmos sofrimento com as decisões erradas. Jesus disse: “Vocês erram por não conhecerem as Escrituras e nem o poder de Deus” (Mateus 22:29).

3. A vontade de Deus é boa, perfeita e agradável

Muitas pessoas têm medo de orar e perguntar a Deus qual é a vontade dEle, pois acham que Ele irá frustrar os seus planos. Isso acontece porque elas ainda não têm uma ideia clara do caráter de Deus. Elas acham que Ele é um Deus mau, bravo, e que se elas falharem, serão castigadas e nada mais dará certo em suas vidas. Se você quer saber como Deus é, basta olhar para Jesus, pois Ele é a expressão exata de Deus (Hebreus 1:3). Jesus curava, perdoava, se compadecia dos mais fracos, não tinha “pedra em suas mãos” e não pagava o mal com o mal. Analisando assim, você poderá entender melhor o Seu amor. A Bíblia diz que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável, mas para experimentá-la, é preciso renovar a mente com a Sua Palavra e agir conforme ela (Romanos 12:2). Com o tempo você verá que Deus faz todas as coisas cooperam para o seu bem.

4. Para saber a vontade de Deus, é preciso orar

Diante de tudo que expliquei acima, precisamos ir para a prática. Há momentos em que realmente ficamos confusos e não conseguimos enxergar claramente a vontade de Deus, por isso precisamos orar antes de tomar qualquer atitude. A oração faz com que nosso coração se alinhe ao de Deus. Talvez não tenha nada de errado em tomar tal decisão, mas às vezes ainda não é o tempo de Deus ou talvez Ele tenha algo melhor para você. Por isso é tão importante orar em todo o tempo. Muitas vezes você não ouvirá Deus falar ao seu coração e você precisa tomar uma decisão com urgência, então é nessa hora que você precisa agir pela fé. Se você acredita que Deus te ama, que a Sua vontade é boa, perfeita e agradável e você tem obedecido a Sua Palavra, então creia que a decisão que você tomar, será a que Deus te instruiu a fazer. O Salmo 25:12 diz: “Ao homem que teme ao Senhor, Deus o instruirá no caminho que deve escolher”. Isso mostra que Deus nos instrui de alguma forma: seja através de uma paz (ou falta dela) que sentimos após orarmos, através de uma impressão que sentimos em nosso interior, ou através de sinais externos.

Acima de tudo, a sua fé e confiança em Deus devem prevalecer. Nem sempre é fácil fazer as escolhas certas; às vezes falhamos porque agimos por impulso ou porque não confiamos totalmente em Deus e fazemos do nosso jeito. Com isso, sofremos, nos ferimos e ficamos no prejuízo, mas precisamos aprender com os erros para não praticá-los outra vez e crer que Deus faz cooperar tudo para o nosso bem, inclusive as coisas que deram errado (Romanos 8:28).

Muitas pessoas já erraram tanto na vida e hoje vivem reclamando da vida, de si mesmas e de Deus. Porém, ficar remoendo o passado não mudará o futuro. Precisamos esquecer o que passou e prosseguirmos para o alvo que é Jesus Cristo. Deus quer nos dar um futuro maravilhoso, de paz e alegria e tudo começa com um coração agradecido. A Bíblia diz: “Dêem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” (1 Tessalonicenses 5:18). A gratidão disciplina o nosso coração para se alegrar e confiar que o amor de Deus nunca nos decepciona!

Aquele que ama a Deus procura fazer a Sua vontade. Assim, devemos orar a Deus, pedindo que ele nos ensine Sua vontade, procurando o discernimento e pedindo sabedoria nas escolhas a serem feitas e decisões a serem tomadas.

Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th. via Palavra Prudente
Autor: Pr. Antônio Júnior (Como saber qual é a vontade de Deus?)

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