As Bem Aventuranças

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BEM-AVENTURADOS OS POBRES
Nestas palavras não há canonização da pobreza como fonte de valores e de virtudes. Os pobres são bem aventurados não porque sejam os melhores, mas porque, carentes de outros bens, poderão ter mais facilidade em acolher o dom do Reino. Os pobres, ao carecerem de apoio neste mundo, só lhes resta por sua confiança em Deus. O pobre bíblico é exatamente o contrário do rico: estes põem sua salvação nos bens deste mundo. Se somente os pobres desfrutaram do banquete (Lc 14,16-24), não foi porque eram mais virtuosos, mas porque não tinham motivos para deixar de participar.
Os pobres de espírito puseram seu ideal não no desprendimento dos bens terrenos, e sim na submissão voluntária e alegre à vontade de Deus. Eles, desde agora, possuem o reino porque têm Jesus como sua única riqueza.

A BEM AVENTURADOS OS MANSOS

Esta Bem-Aventurança é um aspecto da humildade que se exerce sendo amáveis em nossas relações para com o próximo. É a forma mais delicada do amor, da Caridade, que é paciente e serviçal, que não é egoísta, que tudo escusa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Todavia, a mansidão não é somente suavidade. A verdadeira mansidão, que é reflexo de cristo, é penetrada de fortaleza, e nada de comum tem com a covardia ou indiferença, mas é verdadeira escola de martírio. A força verdadeira da mansidão é a do homem capaz de correr o risco de ser considerado fraco, porque tem para todos, inclusive para si mesmo, entranhas de misericórdias.

BEM AVENTURADOS OS QUE CHORAM

Às vezes, a existência do religiosos é marcada por tristeza singular, que o não-crente não pode compreender. Por um lado vê que com Jesus Cristo começou um mundo novo que tende para sua plenitude definitiva. Por outro, vê com mais claridade do que os outros homens que o mundo que o rodeia está submerso em atmosfera de pecado e de ausência de Deus. Se vivemos o compromisso cristão e não levamos vida superficial, não podemos permanecer indiferentes, mas estaremos aflitos e tristes ante à destruição que o príncipe deste mundo opera na vida dos homens. Esta aflição gera o desejo pelo mundo vindouro, e uma alegre e segura espera pêlos bens do mundo futuro. Assim, a aflição vai de mãos dadas com a alegria que gera a esperança dos novos céus e da nova terra.

BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA

Fome e sede são o vazio apto a ser preenchido pela fartura de Deus. A nova justiça, a do reino dos Céus, chama-se santidade, e significa cumprir a vontade plenamente a vontade de Deus. E não podemos guardá-la para nós mesmos. Esta justiça-santidade tem dimensão individual e social, pois a chave de toda mudança social é o homem. As estruturas, as formas de vida e as leis não têm eficácia por si mesmas. poderão ser uma ajuda, mas é o homem que deve mudar para assegurar a transformação social que deseja. Não podemos transformar o mundo sem pôr de nossa parte o esforço e o sacrifício indispensáveis para nos tornarmos melhores. Jesus cristo, ao unir indissoluvelmente o amor de Deus ao amor ao próximo, estabeleceu no coração do homem as bases da mudança social mais profunda e mais radical que a história conheceu.

BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS

A misericórdia preside a história da Salvação: a redenção nada mais é do que a misericórdia total (2 Cor 1,3). Realmente a história da Salvação é a revelação da misericórdia divina. É o grande mistério escondido desde o começo dos séculos e das gerações (Cl 1,26). Entre a misericórdia de Deus e a misericórdia dos homens há de haver relação muito especial (Veja Mt 18,35). Aos misericordiosos, que não ousam julgar os outros segundo os seus próprios critérios, mas usa do amor divino, Jesus Cristo ofereceu-lhes a mais bela recompensa. Capacita-os a abraçarem largamente a misericórdia divina, de modo a não serem condenados quando comparecerem perante o justo tribunal de Deus.

BEM-AVENTURADOS OS DE CORAÇÃO PURO

O coração é o centro da vida interior, onde encontram sua sede todas as forças psíquicas e espirituais do homem. Nele se radica sua escolha fundamental por Deus. Às vezes se concretiza esta bem-aventurança na castidade, mas ela não é somente isto, embora a inclua. Pureza de coração equivale a retidão de intenções. Opõe-se à duplicidade e ao farisaísmo. Puros de coração são os que as disposições internas sincronizam com a ação externa. São puros os que têm o coração não dividido, os sinceros, leais, sem artifícios. Os que servem a Deus e aos homens por amor a Deus, de todo o coração, embora sejam julgados, criticados, ou tidos por tolos. Os que servem sem cálculos, sem fingimentos. A pureza de coração consiste assim na perfeita coerência entre o interior e o exterior. A cidade deste mundo, apesar de sua bela aparência, rapidamente é transformada, por isso é melhor ter os olhos fixos na cidade que nos espera, sem dividir o coração com coisa alguma deste mundo. Assim, é que os puros de coração adquirem grande sabedoria, e não somente vêem a Deus, mas nele, Deus se vê. Neste mundo a experiência da visão de Deus é fruto da contemplação cristã. É a Bem-Aventurança dos contemplativos.

BEM-AVENTURADOS OS QUE CONSTROEM A PAZ

Para os judeus, a paz significa mais do que a concórdia entre os homens. Ela consiste num estado de felicidade e plenitude a que aspira o homem desde o mais profundo do seu ser. Jesus cristo, que sempre viveu envolto nesta paz, no-la deixa como herança (Jo 14,27), com a condição de que como ele também vivamos neste mesmo estado de abandono confiante nas mãos do Pai. Aqui está a grandeza original de Jesus e dos cristãos: poder viver no meio dos malogros e tempestades com a alma plena de serenidade e calma, poder ser profundamente felizes vivendo no meio das adversidades. Esse é o fruto mais saboroso do sentir a Deus como Pai amabilíssimo e do viver confiantemente abandonados em suas mãos benditas. É preciso compreender também que esta Bem-Aventurança não se refere a uma disposição interior, mas sim a uma atividade que visa o benefício dos outros. “Eironopoios” é o que faz a paz. não se trata de simples disposição de ânimo, e sim de ação. Essa Bem-Aventurança é de ação. É de irradiação para o exterior. A paz constroi-se à medida em que se ama. E aquele que ama se torna igualmente Filho de Deus (Mt 5,44-45).

BEM-AVENTURADOS OS QUE SOFREM PERSEGUIÇÃO PELA JUSTIÇA

O privilégio não está em seus sofrimentos, mas na causa pela qual os suportam: Jesus Cristo. Os primeiros cristãos estavam persuadidos de que professando a fé em Jesus Cristo e vivendo esta fé, se chocariam com o ambiente pagão. Desde o começo sabiam que tornar-se cristão significava entrar em comunhão com Cristo perseguido. Sentiam até solidariedade profunda com a Paixão e Morte do Senhor, mas unidos a Ele conservavam sua confiança em Deus no meio das tribulações, e esperavam o prêmio definitivo de participar da sua Ressurreição. Hoje, os cristãos que vivem no mundo estão submetidos igualmente à lei do sofrimento por causa de Cristo e de sua justiça. Em muitos países os cristãos são perseguidos, torturados, martirizados por suas convicções religiosas. E nos países onde a liberdade religiosa é oficialmente reconhecida, os cristãos que procuram viver fielmente sua religião são, às vezes considerados como gente atrasada, ingênua e rara. O cristão que não dá motivo a semelhantes reações negativas ao seu redor, deveria questionar-se se sua adesão a cristo é autêntica. Mas a dor pela dor não tem sentido cristão O sofrimento cristão pressupõe a inserção de nossa dor na dor de cristo e a sensação profunda de triunfo que está na essência do cristianismo: “Sofremos com Cristo para ser glorificados com Ele” (Rm 8,17). A nossa vinculação à sua pessoa e à sua missão é a melhor garantia de nossa entrada no Reino de Deus.

Ana Carla Bessa






Este artigo foi escrito em sábado, julho 25th, 2009 e armazenado em Estudos e Mensagens. Você pode acompanhar as respostas para este post através do RSS 2.0 feed. Você pode comentar, ou deixar trackback de seu site.

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