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O Islamismo é um movimento religioso fundado pelo profeta Maomé, no início do século VII d.C; a palavra Islam é derivada do vocábulo Árabe Salam que significa “paz”, e tem o sentido de “submeter-se, render-se ou dedicar-se”. O Islamismo nada mais é do que a fé na pessoa de Allah (o Deus), e tem suas raízes no judaísmo e seus adeptos são chamados pela religião de mulçumanos.

Os primórdios da história do Islamismo giram em torno da cidade de Meca, a capital da Arábia Saudita; Meca era uma cidade de em enorme poder aquisitivo, e tinha um grande comércio. Também havia na cidade de Meca vários santuários de deuses pagãos, e na tribo de Qraysh na qual Maomé nasceu, era muito poderosa e controlava todo e qualquer tipo de adoração pagã na cidade. Muitas pessoas que residiam naquela região eram animistas e adoravam rochas, árvores e fontes sagradas; e uma das pedras mais sagradas era o meteriorito negro de Caaba, e segundo uma lenda popular declara que esta pedra caiu do céu nos dias de Adão; acredita-se que Ismael foi para a cidade de Meca e teria se tornado o pai de todos os povos árabes.

II.HISTÓRIA

O Islamismo foi fundado no ano de 622 d.C, na cidade de Medina, Arábia Saudita e seu fundador como já vimos, chama-se Maomé(Mohammad) e nasceu na cidade de Meca no ano de 570 d.C, num contexto religioso que mesclava animismo, politeísmo, monoteísmo etc. Existe na cidade de Meca, um santuário chamado Caaba que conserva até os dias de hoje uma pedra negra, considerada sagrada para os Árabes.

Em 610 d.C., aos quarenta anos, Mohammad, enquanto meditava em uma caverna, teria recebido a visita do anjo Gabriel (Jibril, em Árabe), que lhe revelou o que hoje é conhecido como Alcorão; começou então a pregar que só havia um único Deus, e que era o restaurador da religião verdadeira que há muito tempo havia desaparecido. Sendo assim, este tipo de pregação trouxe consigo forte oposição de seus contemporâneos. Isso então levou a pessoa de Mohammad a fugir para a Medina, em 16 de Julho de 622; este acontecimento conhecido como Hégira (migração), marcou o início do calendário mulçumano.

Nesta cidade, Mohammad estabeleceu sua doutrina, recrutou adeptos e construiu a primeira mesquita; e no ano de 630, com os seus seguidores entrou na cidade de Meca, submetendo-a sem combate à nova fé. Sua primeira atitude foi destruir os ídolos de caaba.

III.ESCRITURAS

O alcorão é a autoridade máxima do Islam, que ensina Deus ter revelado cada palavra através do anjo Gabriel a Mohammad, que era um tipo de pessoa indulta; sendo assim, Mohammad teve então que memorizar todas as palavras, ditando-as posteriormente aos seus discípulos. Depois do seu falecimento, um grupo de escribas começou a assentar tudo por escrito e o seu resultado final é uma obra contendo 114 suratas (capítulos).

Há extensa citação (indireta) tanto do Antigo Testamento, quanto no Novo Testamento embora que, apregoe que estas obras literárias tenham sido corrompidas através dos séculos. A segunda fonte de autoridade para os mulçumanos é a Sunna, coleção da tradição das declarações e dos feitos de Mohammad, apresentados em forma de hadis (breves narrativas).

IV.DEUS

A fé Islam é essencialmente monoteísta (hanif), e sua concepção da unicidade de Deus, leva-a a rejeitar a crença cristã na doutrina da trindade, afirmando que esta deturpa o monoteísmo bíblico; eles afirmam também que aqueles que professam a fé cristã, inventaram a trindade ou a copiaram da idolatria pagã.

V. JESUS CRISTO

Jesus é respeitado e até mesmo reverenciado no Islamismo como um dos maiores mensageiros de Deus para a humanidade (Mohammad é o maior e o último deles), crêem também que ele nasceu da virgem Maria, contudo ele não pode ser considerado filho de Deus num sentido especial como o cristianismo atribui. Negam também a sua divindade, bem como sua morte na cruz, a assim conseqüentemente, negam o seu sacrifício vicário e a redenção do gênero humano por meio de sua morte, que são sustentados pelo cristianismo. Isso se dá devido ao fato de que o retrato feito de Jesus no Alcorão é baseado nos evangelhos apócrifos, que foram rejeitados pelo cristianismo e não nos canônicos; a idéia da encarnação parece aos olhos dos mulçumanos, como algo degradante, diminuindo a transcendência de Deus.

VI. ESPÍRITO SANTO

Os eruditos mulçumanos dizem que o Espírito Santo trata-se do anjo Gabriel; crêem também que as palavras de Jesus referentes ao Espírito Santo sejam aplicadas a Mohammad, pois este seria o consolador, o Espírito da verdade que Jesus Cristo havia profetizado no evangelho de João no capítulo 16vv. 12 e 13.

VII. VIDA APÓS A MORTE

O Islam, prega a sobrevivência da alma após a morte física e o dia do juízo final; antes do juízo, porém, os mortos vão para um lugar ou estado intermediário, conhecido como Barzakh, onde os justos vivem períodos de felicidade e os ímpios de sofrimento. Ambos aguardam a ressurreição no juízo final; os que reconheceram que “não há outra divindade além de Deus, e que Mohammad é seu mensageiro”, esse é o resumo de tudo o que os mulçumanos devem crer, sendo assim, receberão as alegrias do Paraíso eternamente e contemplarão a Deus.

Mas aqueles que não viveram de acordo com essa profissão de fé serão lançados no inferno; quanto ao inferno, os peritos mulçumanos divergem em relação à durabilidade do castigo, para alguns, Deus poderá perdoar todos os pecados dos infiéis, com exceção da descrença em Deus; para outros, contudo, haverá a salvação universal, ou seja, todos serão perdoados, até mesmo aqueles que cometeram o pecado da descrença em Deus.

CRENÇAS E PRÁTICAS DO ISLAMISMO

A teologia islâmica é tão vasta quanto a teologia cristã e, assim como os cristãos possuem um credo resumido, os mulçumanos o possuem, resumindo brevemente seus artigos de fé.

A CRENÇA EM DEUS

Deus é chamado de Allah, é UNO (wahed) e não tem companheiros e nem ninguém que lhe seja igual; Deus é totalmente diferente do homem, os mulçumanos tiraram do Alcorão 99 nomes (ou adjetivos) para a pessoa de Deus. Eles normalmente usam “rosários” de 99 contas, para recitar todos os seus nomes; e é muito interessante notar que, entre os 99 nomes ou adjetivos citados, não existem as palavras “amor” e “pai”, pois a natureza de Deus no Islamismo é “poder”.

CRENÇA NOS PROFETAS

Maomé ou “Mohammad” ensina que existe um profeta para cada época, começando por Adão e terminando em Maomé, a tradição islâmica diz que existiram 120.000 profetas. Sendo assim, para cada profeta foi dado um livro sagrado, mas todos se perderam, exceto três: o da Lei (Torá), dado a Moisés; o livro dos Salmos (zabur), dado a Davi; e os Evangelhos (injil) dados a Jesus Cristo, mais Jesus era apenas mais um profeta, pois Maomé é considerado o “selo dos profetas”, o último e o maior deles.

CRENÇA NOS LIVROS SAGRADOS

O Alcorão é considerado o último livro sagrado dado aos homens, ele é eterno, e foi escrito em placas de ouro ao lado do trono de Allah e posteriormente recitado ao profeta Maomé pelo anjo Gabriel, de acordo com a sua necessidade. O Alcorão confirma os livros anteriores, ou seja, os que foram dados a Moisés, Davi e a Jesus Cristo; os mulçumanos acreditam que alguns versos mais antigos do Alcorão foram substituídos. Alguns especialistas afirmam que 225 versos foram suprimidos, o que é motivo de constrangimento para muitos adeptos do Islamismo.

CRENÇA NOS ANJOS

Segundo o Islamismo, Deus criou todos os anjos e a maioria deles são maus, são também chamados de “ginn” (de onde crêem originar a palavra gênio). Para o Islamismo Miguel é considerado o anjo-patrono dos judeus, e Gabriel é o anjo que trouxe o Alcorão, e cada ser humano tem um anjo-ombro: um responsável em escrever suas boas obras, e outro responsável em escrever as más obras. Satanás (“Iblis ou Shitan”) foi desobediente, e Deus ordenou-lhe adorar Adão e ele se recusou; e este é sem dúvida um enorme constrangimento para os mulçumanos, pois satanás estava certo, somente Deus deve ser adorado.

CRENÇA NO DIA DO JUIZO FINAL

Para o Islamismo a salvação é dada pelas obras, e as obras de todas as pessoas serão pesadas em uma balança; se as boas obras superarem as más, tal pessoa irá para o paraíso. O conceito dado para o paraíso é sem dúvida muito sensual; segundo o Islamismo, existem lindas virgens de olhos negros para cada homem, existe também rios, árvores frutíferas e perfume no paraíso. O inferno para os mulçumanos é um lugar de fogo e tormento indescritíveis.

CRENÇA NOS DECRETOS DE DEUS

Allah é absolutamente soberano, e Ele não tem nenhum tipo de obrigação moral, pois isto limitaria seu poder e a sua soberania; Deus decreta o destino de cada ser humano, entende-se que isto acontece numa determinada noite do ano, e segundo os mulçumanos, Deus é o autor do mal.

AS PRÁTICAS ISLÂMICAS

O Islamismo é um modo de vida que envolve todos os aspectos da vida, e ele cobre o aspecto religioso, político, social e cultural; para eles não existe a idéia que nós temos de separação entre a Igreja e o Estado, mas existe o que eles chamam de “pilares de islamismo”; em geral se aceita que estes pilares são:

TESTEMUNHO OU CONFISSÃO (Shahadah)

“Eu testifico que não existe outro deus além de Deus, e que Mohammad é o mensageiro de Deus”. Recitar isto, crendo no que você está dizendo, o faz um mulçumano; isto também é recitado no ouvido do recém-nascido, e também é recitado no ouvido de quem está morrendo. Para os mulçumanos, os méritos são acumulados cada vez que se recita esta confissão, e em suas orações repete-se esta confissão pelo menos umas trinta vezes.

AS ORAÇÕES FORMAIS (Salât)

As orações rituais devem ser feitas cinco vezes por dia: ao amanhecer, ao meio dia, no meio da tarde, ao pôr do sol, à noite, e em algum momento antes de se deitar. O Salât requer que as pessoas se prostrem, até que a testa esteja colada ao chão, e tem que ser feito sem nenhum erro, para que o mérito venha ser alcançado.

DAR ESMOLAS OU FAZER CARIDADES (Zakat) Existe uma escala proporcional para o “dar”. 2,5% das suas entradas financeiras, 5% dos produtos agrícolas e 10% de todos os bens importados são destinados às pessoas pobres.

O MÊS DO JEJUM (Saoum)

O jejum dura de 29 a 30 dias, jejua-se somente durante o dia e não se deve comer ou beber desde o nascer até o pôr-do-sol. Do pôr-do-sol até o nascer, pode-se comer tanto o quanto desejado. 1/30 do Alcorão deve ser lido diariamente, mas os viajantes, mulheres grávidas, mulheres durante o período mestrual, crianças e enfermos estão isentos.

A PEREGRINAÇÃO (Haj)

A peregrinação é uma idéia pré-islâmica, o primeiro a mencionar a Kaaba foi Diodorus Sculus, em 60aC. Também é obrigatória a peregrinação à Meca pelo menos uma vez na vida e uma vez lá, é necessário cumprir as seguintes orientações:

 Caminhar sete vezes ao redor da Kaaba.  Vestir roupas especiais para a ocasião.  Relembrar a busca de Hagar por água.  Viver em tentas nas planícies de Arafat.  Beijar ou tocar na pedra negra na parede da Kaaba. OBS: Os que não são mulçumanos estão proibidos de entrar nas áreas santas das cidades de Meca e Medina.

GUERRA SANTA (Jihad)

A palavra árabe “Jihad” significa “lutar por Deus”; isto pode-se ser interpretado como guerra ou qualquer outra forma de militar a favor de Deus, como por exemplo, pregando, escrevendo, promovendo melhorias na área educacional, etc... Alguns especialistas mulçumanos tentam dizer que este não é um dos pilares do islamismo.

A FORMAÇÃO DO ALCORÃO, O LIVRO SAGRADO MULÇUMANO

O Alcorão é o eterno céu; ele foi escrito em placas de ouro no céu, e o anjo Gabriel se aproximou de Monhammad e lhe disse: “recite”! Então Manhammad memorizou o que escutou deste ser angelical e recitou de memória tudo o que escutou. Conforme ele recitava aos seus companheiros, iam escrevendo tudo o que escutavam e as recitações contidas no Alcorão foram dadas conforme a necessidade das situações em que se encontrava Monhammad. O Alcorão confirma todas as escrituras anteriores, que são a lei de Moisés, os salmos de Davi e o Evangelho de Jesus. Estes livros foram dados a estas pessoas da mesma forma que o Alcorão foi dado a Monhammad.

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